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CEO da Penguin Random House defende uso estratégico da IA no mercado editorial

A inteligência artificial já faz parte das discussões estratégicas do mercado editorial — e, para Nihar Malaviya, CEO global da Penguin Random House, a questão não está em substituir o trabalho humano, mas em usar a tecnologia para potencializá-lo.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, durante sua primeira visita ao Brasil, o executivo que comanda o maior grupo editorial do mundo falou sobre o uso da IA em decisões comerciais, a autonomia das editoras do grupo e as oportunidades de crescimento do mercado brasileiro. Com uma comparação provocativa — “nós cozinhamos e usamos IA para lavar a louça” —, Malaviya defende que a tecnologia deve assumir tarefas que permitam às equipes dedicar mais tempo àquilo que exige criatividade, sensibilidade e conhecimento editorial.

A conversa também lança luz sobre o olhar internacional para o Brasil, considerado pelo executivo um mercado diverso, jovem e com grande potencial para ampliar sua base de leitores.

Confira os principais pontos da entrevista publicada pelo jornalista Walter Porto, na Folha de S.Paulo.

 

É a primeira visita do presidente-executivo da Penguin Random House, o indiano Nihar Malaviya, ao Brasil —país onde sua empresa tem o controle majoritário da Companhia das Letras, editora com a maior fatia do mercado de livros hoje.

É um mercado cujo dinamismo e amplitude agradam o executivo de 51 anos, três deles à frente do principal conglomerado editorial do mundo. Foi isso que moveu seu périplo de duas semanas pelo Brasil —teve tempo até de ir às Cataratas do Iguaçu, mas veio sobretudo prestigiar o marco de 40 anos da Companhia.

Em 2011, a Penguin comprou uma participação de 45% da editora brasileira. Dois anos depois, se fundiu com o grupo Random House e tomou a dianteira da indústria de livros comerciais no mundo. Hoje, o grupo estrangeiro controla 85% das ações da Companhia das Letras, com os 15% restantes nas mãos do casal Luiz e Lilia Schwarcz, que fundou a editora em 1986.

“É um país muito jovem, com um leque amplo de pessoas que ainda podem se tornar leitoras regulares”, diz ele. “Não só pelo tamanho da população, mas também porque é um país muito diverso em todos os sentidos, de culturas a regiões geográficas, que se abre a muitos tipos diferentes de livros.”

Malaviya é um homem baixo e discreto, do tipo que parece que ficaria em completo silêncio se não fosse provocado por perguntas —contraste com o perfil de pavão de seu antecessor, Markus Dohle, que saiu após o fracasso da fusão da Penguin com a Simon & Schuster, barrada pela Justiça dos Estados Unidos em 2022.

O atual CEO, indiano radicado nos Estados Unidos desde a infância, reforça que as editoras que o grupo controla pelo mundo —a Penguin Random House tem operação em mais de 20 países— tocam seu trabalho com autonomia.

“O que fazemos é criar diferentes fóruns globais, tanto para questões editoriais quanto de finanças, de cadeia de suprimentos, de tecnologia, de marketing, de vendas. As pessoas lidam com desafios parecidos pelo mundo, e nós nos reunimos regularmente para compartilhar conhecimento.”